Clima tenso continua em Amargosa após enterro de bebê

Morte de bebê revoltou a população de Amargosa, que pede justiça (Foto: Luiz Tito | Ag. A TARDE)

O clima na cidade de Amargosa continua tenso. Após o sepultamento da bebê Maria Vitória Souza Santos, na tarde desta quinta-feira, 17, cerca de 300 pessoas ameaçaram fechar a entrada da cidade e fazer nova manifestação. Cerca de 100 policiais militares e civis reforçam o policiamento, entre eles o Pelotão de Choque.

A revolta da população é pela morte da menina, que foi atingida por um tiro na cabeça durante abordagem policial realizada por dois policiais, sendo um civil e um militar, na noite de quarta-feira, 16. "Não iremos sossegar enquanto não vermos a justiça sendo feita. Estes policiais devem ser presos. Se fosse ao contrário, nós que tivéssemos matado um deles, estávamos presos ou até mortos, então porque eles estão soltos?", questionou Almerindo Santos, avô da criança.

O sepultamento da menina foi acompanhado por cerca de 800 pessoas, a maioria vestida de preto, com faixas e cartazes pedindo justiça. Na entrada do Cemitério Municipal, os acompanhantes do cortejo fizeram um circulo e colocaram o caixão no meio, onde cantaram de mãos dados e logo depois se ajoelharam e clamaram por justiça. "Quantas vidas serão tiradas para que se faça justiça aqui. Estes policiais são tidos como valentões e não respeitam ninguém. A delegada é conivente. Queremos uma resposta imediata", disse emocionada uma tia da criança.

Reunião

Na manhã desta quinta, familiares e vizinhos da menina participaram de uma reunião com o secretário de Segurança Pública da Bahia (SSP), Maurício Barbosa, o comandante geral da Polícia Militar (PM), Alfredo de Castro, e o delegado geral da Polícia Civil, Hélio Jorge Paixão, diretor do DEPIN, Moises Damasceno, além de promotores, juízes e advogados da comarca.

A reunião que aconteceu no fórum, durou cerca de 3 horas e após ouvir os depoimentos, o secretário decidiu transferir a delegada titular Gloria Isabel Ramos, afastar os policiais de prenome Carlos e Marcos Aurélio (PM), apreender as armas deles para pericia e passar a responsabilidade das investigações para a corregedoria da Polícia Civil sob o comando da delegada Heloisa Brito.

Questionado sobre o que realmente ocorreu, o secretario informou que não tinha ainda informações oficiais do fato e que teria sido informado verbalmente que os policiais realizavam uma abordagem a um suspeito quando houve troca de tiros e a criança foi atingida. "Mas não tenho como afirmar esta informação, já que não é a oficial e tem outros fatos que a contradizem e necessitam ser investigados. O que posso afirmar é que estamos adotando todas as medidas cabíveis para apurar os fatos com a maior clareza", afirmou.

Enquanto a reunião acontecia cerca de 500 pessoas realizam um protesto contra a morte da criança. Vestidas de preto e com faixas e cartazes, os manifestantes pediam justiça e chegaram a entrar em confronto com policiais, que utilizaram sprays de pimenta para afastar as pessoas da entrada do prédio.

Mentira

Familiares da menina negam a versão de troca de tiros e afirmam que os policiais já chegaram atirando e que invadiram a casa em perseguição a um suposto suspeito. A tia da menina, Letícia de Almeida Santos, o policial civil de prenome Carlos chegou em um carro modelo Palio, de cor preta, acompanhado por um policial militar que estava a paisana e já desceu do carro gritando que "Perdeu viado, hoje você morre" e começou a atirar.

"O rapaz se abaixou e correu para a casa de minha irmã que estava com a porta aberta. Meu cunhado estava com minha sobrinha no colo no sofá e quando percebeu os policiais já invadiram a casa atirando. Ele ainda tentou fechar a porta, mas eles abriram com chutes. A minha sobrinha foi atingida com um tiro na testa", contou.

No sofá, cama, paredes e porta da casa as marcas de tiros, sangue e massa encefálica ficaram como prova da tragédia. "Eles atiraram sem dó e ainda quando viram o desespero de minha irmã, o Carlos gritou que a minha sobrinha era apenas mais uma vitima dele" acusou Leticia.

A menina foi socorrida pelos policiais para o hospital municipal, onde chegou sem vida. "Eles só levaram a menina, porque minha esposa invadiu o carro. Mesmo assim eles a xingaram no caminhão para o hospital. Lá pedi a delegada uma posição e ela apenas abraçou os policiais e os retirou do local", disse o pai da menina Luiz Carlos da Silva de Souza.

Os familiares dizem que os policiais estavam fazendo uso de entorpecentes. "No hospital mostrei a delegada como estava o nariz deles que tinha um pó branco e eles ficavam com o nariz escorrendo o tempo todo. Eles usam drogas e todos aqui na cidade sabe disto", acusou o pai. 

O alvo dos policiais era o balconista Wellington de Jesus Trindade, de 22 anos, que conversava com amigos em frente à residência da família. Em entrevista ao A TARDE, Wellington ressaltou que não tem passagem pela polícia e já conhecia o policial civil que, segundo ele, tem "fama de valentão". "Ele me confundiu com outra pessoa e como ele queria matar não pensou duas vezes. Foi Deus que me livrou. Infelizmente eles mataram a criança", destacou.


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