Produtos Plásticos: Um Bem Supérfluo ou Um Mal Necessário?

Segundo Grazzinelli (2002), observa-se, ainda hoje, que o princípio no qual se apoia a relação do homem com o ambiente é o de que a natureza e o ambiente têm valor apenas quando existe algum interesse utilitário envolvido.

O atual modelo de civilização construído pela sociedade contemporânea tem solidificado a tendência ao desequilíbrio ambiental. Esse modelo influi no desperdício de energia e desestabilização das formas de equilíbrio por razões de ordem biológica, social, política, cultural e econômica. Desta forma, para satisfazer suas necessidades, o homem impõe uma pressão cada vez maior sobre esse ambiente (CASTRO, 1999 apud. CAZOTO E TOZONI-REIS, 2008). Este desequilíbrio causado pelo homem a natureza ocorre de uma forma crescente desde os primórdios da humanidade, resultado de uma busca incessante pelo desenvolvimento e tecnologias cada vez mais avançadas. Em paralelo a isso, o homem também vem se manifestando com a intenção de entender melhor o que ocorre nessa relação com o meio ambiente, buscando encontrar alternativas que possam solucionar os problemas com os quais vem se deparando (TAKAYANAGUI, 2004).

De acordo com Ferreira (2005), a civilização contemporânea chega ao início do século XXI como a civilização dos resíduos, marcada pelo desperdício e pelas contradições de um desenvolvimento industrial e tecnológico. Onde apenas utilizamos os recursos da biosfera como se esses fossem ilimitados, todos os dias à natureza o desafio de ter que absorver novos produtos de origem desconhecida dos agentes naturais, incapacitando, portanto, de promover o controle de seus usos e riscos, ultrapassando os limites da capacidade dos ciclos naturais e dos fluxos de energia. Atualmente dentre os problemas de degradação ambiental em destaque, podemos citar os resíduos sólidos, e, dentre estes, as sacolas plásticas representam um importante tema estudado, devido a danos e conseqüências, para o meio ambiente como um todo.

Desde a sua criação ocorrida no ano de 1862, o plástico conseguiu dar ao mundo um grande impulso econômico e desafiador, já que este produto tomou conta do planeta, graças as suas poucas vantagens comerciais: longevidade e principalmente ao seu baixo custo no mercado. Impondo ao planeta o desprazer da poluição em ambientes distintos. O plástico e todos os seus materiais, como sacos e sacolas plásticas, por exemplo, vem aumentando e tomando conta do planeta desde a sua invenção, levando o mundo a uma diminuição dos custos comerciais e o desenfreio dos impulsos consumistas da civilização contemporânea (FABRO, 2007).

Os produtos plásticos devido à sua resistência, flexibilidade, capacidade de receber impressão, transparência, impermeabilidade, leveza, possibilidade de reutilização, entre tantas outras ótimas características, é um material cada dia mais usado e indicado para um grande número de aplicações. E graças a estas qualidades o seu consumo vem aumentando a cada década, hoje produzimos e consumimos diariamente 20 vezes mais plásticos que há 50 anos, cada família brasileira, por exemplo, descarta cerca de 40 quilos de plásticos por ano (RES BRASIL, 2009). Alem disso, os resíduos plásticos apresentam-se com grandes gastos diante do seu gerenciamento, aumentando os custos públicos com sua disposição final. Onde podem seranalisados, por exemplo, alto custo com a limpeza publica (SPINACÉ, 2005). Outro problema relacionado a materiais plásticos é o gasto energético durante a sua fabricação.

Estima-se, por exemplo, que para cada tonelada produzida de (PEBD), haja a liberação de 112 bilhões de joules, o que equivale à liberação de todo o CO2 produzido durante a queima de mais de quatro toneladas de carvão (CANTO, 2008). Atualmente, sacolas plásticas se apresentam como tecnologias que preocupam a sociedade mundial, diante do crescente volume de utilização e implicações ambientais relacionadas ao seu tratamento e descarte não racional pós-consumo, principalmente por serem consideradas substratos descartáveis, apresentando um índice de decomposição variável, sob tudo diante de elementos ambientais como luz, umidade, calor e microrganismos. Levando ambientalistas a centrarem suas campanhas nas vantagens de se gerenciar esses resíduos sólidos (FORLIN, 2002). Segundo Canto (2008), grande parte do volume do lixo sólido descartado nas cidades brasileiras corresponde a sacolas plásticas, conduzindo a um preocupante problema ecológico.

Atualmente, fabrica-se em nosso país, cerca de 1 bilhão de sacolas plásticas que são distribuídos nos supermercados. Isto significa 33 milhões por dia e 12 bilhões por ano ou ainda 66 unidades para cada brasileiro por mês. (RESBRASIL, 2004). O mundo fabrica aproximadamente 1milhão de sacos plásticos por minuto, o que quer dizer que quase 1,5 bilhões por dia e mais de 500 bilhões por ano. O plástico é o resíduo que mais polui as zonas urbana e rural aumentando os prejuízos (NEW SCIENTIST, 2004 apud. RESBRASIL, 2004). E quando degradado pode gerar substancias não inócuas, de prolongada persistência e de restrito controle ambiental (FORLIN et al., 2002). A consolidação e o incremento do volume dos materiais plásticos utilizados em embalagens na vida moderna representam um grande desafio (FORLIN et al., 2002).

Do ponto de vista ambiental, as sacolas plásticas se apresentam como um grande problema, podendo ser listado alguns danos que elas causam ao meio como um todo. Em primeiro lugar apresenta-se como uma grande poluidora visual, sendo encontrada desta forma, em diferentes lugares graças à ação dos ventos e principalmente a leveza que estas possuem (SANTOS et al., 2004). Seguidamente, sendo concebidas a partir de substâncias não biodegradáveis, as sacolas plásticas constituem um fator de poluição duradouro, pois, como são gerados a partir de polímeros, pode demorar séculos para se degradar e ocupam grande parte do volume dos aterros sanitários, interferindo de forma negativa nos processos de compostagem e de estabilização biológica. Além disso, os resíduos poliméricos quando descartados em lugares inadequados, como lixões, rios e encostas, causam um impacto ainda maior ao meio ambiente.

As sacolas plásticas têm apresentado enormes impactos a diversos ambientes. Na vida marinha, por exemplo, os animais morrem sufocados ao ingerir embalagens plásticas ao confundi-los com alimento (RES BRASIL, 2004). Recentemente, foi relatada na Normandia a morte de uma baleia devido à ingestão de cerca de 800 quilos de plásticos (RES BRASIL, 2004). Todos os anos morrem centenas de tartarugas, focas e pássaros nas mesmas condições (RES BRASIL, 2004).

Nesse contexto marcado pela degradação permanente do meio ambiente, através das sacolas plásticas inicia-se uma necessária articulação com a produção de sentidos sobre a educação ambiental. Partindo deste pressuposto podemos utilizar a educação ambiental por ser considerado um processo permanente, onde os indivíduos e a comunidade adquiram consciência e conhecimento do meio ambiente, os valores, as habilidades, as experiências que os fazem aptos a agir individual e coletivamente para soluções de problemas ambientais presentes e futuros (DIAS, 1992 apud. PELICIONI, 1998).

Texto baseado em trabalho monográfico realizado pelo Biólogo Joylson Oliveira, para obtenção de título de especialista em Ecologia.



Joylson Oliveira – Biólogo CRBio 59.444/05-D
Especialista em Ecologia e Intervenções Ambientais
Dir. de Controle, Licenciamento e Fiscalização Ambiental – SEMMADS
Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável – Esplanada-BA





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1 comentários:

  1. Parabéns Joylson que Deus te abençoi e continue assim essa pessoa batalhadora e estudiosa você mereçe muito. Uma noticia boa para nossa cidade um Crisopolense LUTADOR em busca de seus ideais. Fico feliz por você. Fica com Deus.

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