Rio Itapicuru está secando e pode deixar 24 cidades sem água

O Rio Itapicuru, que banha 54 cidades, desda a chapada diamantina até o litoral, está morrendo e ameaça deixar mais de 24 cidades completamente sem água, dentro de pouco tempo.

O Itapicuru está com sua capacidade abaixo do nível normal. Ele é responsável pelo abastecimento de cerca de 24 cidades diretamente e mais 30 cidades indiretamente, as quais ficarão sem as suas formas alternativas para abastecimento domiciliar, bem como para a manutenção das lavouras costeiras, também proporcionará uma hidro crise para as cidades do sertão, áreas flageladas pela seca como: Queimadas, Santa Luz, Valente, Retirolândia, Cansanção, Monte Santo, Cipó, dentre diversas outras banhadas pelo rio. 

A barragem de pedra e cimento construída no leito do rio, na década de 40 pela extinta Leste Brasileira, que chega a represar 5 km de água, apresenta mais de 70% de sua estrutura entupida, e não há previsão de limpeza por parte da Embasa, que explora a água. 

A barragem também serve de ponto turístico e de área de lazer para os habitantes de Queimadas e da região. Ela foi limpa, em sua totalidade, na seca de 1993 a 1994. De lá pra cá, os moradores do município não sabem informar se houve outras ações por parte das autoridades. 

Outro grave problema é o desvio das águas do Itapicuru por cerca de 300 motores bomba, sem outorga, para a irrigação de terras às margens do rio no município de Queimadas.

A importante reserva hídrica, alimentada pelos afluentes Itapicuru Mirim, Itapicuru Açu e Rio do Peixe, está com suas águas represadas nas barragens de Pedras Altas e Ponto Novo, construídas pelo governo do estado, com objetivo de abastecer outras regiões, que têm suas terras irrigadas.

Isso tem dificultado a chegada da água na Barragem da Leste, onde segue, através de adutora, para a estação de tratamento da Embasa em Queimadas, município com 30 mil habitantes e cerca de 5 mil ligações de água, bem como em Santa Luz, com quase 40 mil moradores e aproximadamente 8 mil ligações.

“Devido à falta de fiscalização por parte do Instituto de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (INEMA), para coibir o desvio da água, de forma clandestina, para irrigações, e de uma programação para que as comportas das barragens de Pedras Altas e Ponto Novo sejam abertas regularmente, mantendo o leito do rio corrente, o afluente corre o risco de morrer. Se isso acontecer, vai deixar milhares de pessoas que necessitam de suas águas passando sede”.

Com suas nascentes no Espinhaço da Chapada Diamantina, o rio Itapicuru é muito significativo para os 54 municípios que ele corta.

Em Queimadas, segundo a professora e empresária Maria Rejane Andrade, o Itapicuru tem função econômica e social da maior importância. 

“Sobre ele foram erguidas duas pontes: uma metálica, construída pelos ingleses no fim do século XIX, para servir à estrada-de-ferro que liga a capital do estado a Juazeiro, e que até hoje se mantém firme, apesar de quase centenária; a outra de cimento armado, na estrada que liga a sede a outros municípios".

Ela também lembra que o leito do rio já foi formado por margens areentas, sombreadas por árvores e arvoredos, que praticamente não existem mais.


Totalmente abrangidas


Andorinha
Antônio Gonçalves
Araci
Banzaê
Caém
Caldeirão Grande
Cansanção
Capim Grosso 
Cipó
Crisópolis
Filadélfia
Itiúba
Monte Santo
Nordestina
Nova Soure
Olindina 
Pindobaçu
Ponto Novo
Queimadas
Quijingue
Santaluz
Saúde
Senhor do Bonfim
Tucano 

Parcialmente abrangidas


Acajutiba
Aporá
Biritinga
Campo Formoso
Canudos
Cícero Dantas
Conceição do Coité
Conde
Esplanada
Euclides da Cunha 
Heliópolis
Inhambupe
Itapicuru
Jacobina
Jandaíra
Jaguarari
Miguel Calmon
Mirangaba
Quixabeira
Retirolândia 
Ribeira do Amparo
Ribeira do Pombal
Rio Real
São José do Jacuípe
Sátiro Dias
Serrolândia
Teofilândia
Uauá
Valente
Várzea do Poço


Fonte: Tribuna da Bahia, por Pedro Oliveira


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